sábado, 17 de setembro de 2011

NÃO ESPERE PELO EPITÁFIO-MA´RIO SERGIO CORTELLA




Há uma frase que é sempre proferida, quase beirando um chavão, quando, em determinadas circunstâncias, se deseja cobrar de alguém uma postura direta, uma posição explícita ou, até, uma atitude clara: Deus vomitará os mornos! Essa ameaça vale também quando se quer amedrontar aqueles ou aquelas que seguem pela vida afora sem nunca se aproximar minimamente dos extremos, ficando sempre no ansiado ou proclamado como seguro “caminho do meio”, evitando-se, assim, qualquer risco de transbordamento ou ruptura da prudência.
Deus vomitará os mornos! Está lá no Apocalipse (último livro da Bíblia dos cristãos), capítulo 3, versículos 15 e 16: “Conheço tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca”.
Essa admoestação colide frontalmente com um dos pilares da moral greco-romana desde a Antiguidade e que impregna com intensidade a moral do cotidiano: a virtude está no meio. Tal princípio, nascido como teoria completa no século 4º a.C., a partir da obra “Ética a Nicômaco”, de Aristóteles, anuncia, três séculos após, um ideal de moderação e uma referência de tranquilidade expressos por um relato da mitologia trazido nas “Metamorfoses”, do poeta latino Ovídio. Conta ele que Hélios (o Sol) tivera um filho, Faêton, com Climene, mas não acolheu a criança; quando Faêton cresceu, foi em busca do reconhecimento do pai, que, tendo-o aceito, ofereceu como presente qualquer coisa que o rapaz desejasse. O pedido do jovem foi poder guiar o carro de Hélios, que antes o advertiu com a obrigação de manter-se equidistante do céu e da terra, dizendo-lhe que “pelo meio irás com a máxima segurança”. Como o filho não o atendeu, desequilibrando e desviando o Sol, Zeus interveio e liquidou Faêton com um raio.
Ora, há dezenas de mitos, fábulas e histórias com a finalidade de exaltar a exclusividade e preferência do caminho do meio; o que não se deve esquecer é que esse caminho pode também ser o da mediocridade. Em nome da sobriedade, da prudência e do comedimento, o máximo que se obtém em muitas situações é a mornidão mediana, regrada e constantemente refreada.
Nesse sentido, para não ser morno, é preciso ser radical. Cuidado! Em nosso vocabulário usual é feita uma oportunista confusão entre radical e sectário. Radical é aquele, como lembra a origem etimológica, que se firma nas raízes, isto é, que não tem convicções superficiais, meramente epidérmicas; radical é alguém que procura solidez nas posturas e decisões tomadas, não repousando na indefinição dissimulada e nas certezas medíocres. Por sua vez, o sectário é o que é parcial, intransigente, faccioso, ou seja, aquele que não é capaz de romper com seus próprios contornos e dirigir o olhar para outras possibilidades.
É preciso ter limites, mas estará o limite exatamente no meio? Não é necessário ir até os extremos, mas é essencial não ficar restrito ao confortável e letárgico centro. Muitas vezes, o meio pode ficar anódino, inodoro, insípido e incolor. Alguns desses desejos de romper fronteiras mornas só aparecem nos epitáfios, sempre em forma nostálgica e lamentadora de um “eu devia ter…”. Para além da mitologia grega, não é por acaso que outros Titãs têm sido tão festejados quando cantam de forma deliciosa e perturbadora (e muitos com eles): “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer; devia ter arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer…”.
A sabedoria para equilibrar essas inquietações pode ser encontrada na reflexão feita no século 5º a.C. pelo filósofo chinês Confúcio: “Eu sei por que motivo o meio-termo não é seguido: o homem inteligente ultrapassa-o, o imbecil fica aquém”.
Radicalidade é uma virtude; o vício está na superficialidade.
                                                                          Mário Sérgio Cortella
Crônica tirada do livro -"Não espere pelo epitáfio"

domingo, 14 de agosto de 2011

A FELICIDADE E A RAZÃO DE SER DA EXISTÊNCIA .




...Não se cuida mais dos valores simples da existência:a delicadeza emocional e a pujança de sentimentos.
O que se quer é o progresso imaginário,ou quando muito,progresso indefinido.
Nossa observação aos princípios e ao dinamismo da natureza é intelectualmente profunda, mas ninguém jamais conseguiu provar que o intelecto possa realizar a felicidade. 

Pelo contrário:quanto mais o cientificismo proclama a necessidade dos "engenhos para uma vida melhor",  mais se enormiza a carência de novas soluções e novas necessidades; quanto mais se planeja e se estabelecem os processos para melhorar as relações entre os homens e as nações,  maiores se apresentam os desentendimentos e as possibilidades de uma desavença universal.
   
Individualmente vivemos uma época em que mais do que nunca, as pessoas desconfiam da sua capacidade própria para alcançar a felicidade. 
Condicionados por uma "super entidade", que se corporificou através da comunicação fácil das ideias vazias ou negativas, o homem, perdendo a sua bússola interior, vive hoje às apalpadelas, em busca de um conceito mínimo que lhe estabeleça uma razão de ser. 

A "razão de ser", todavia, não aparece. E enquanto procuram onde não poderão encontrar, os corações vão se despedaçando pelo caminho, semeando frustrações cada vez mais profundas e, com elas a irreverência pelas vida, a perda da sensibilidade afetiva, única criadora da real tranquilidade interior e consequente alegria de viver.

As sociedades modernas, como todo mundo sabe, quer quando vestidas de branco, quer de verde ou vermelho, são muito mais máquinas a serviço de interesses ideológicos ou de ambições econômicas, do que qualquer outra coisa, como por exemplo,comunidades humanas dedicadas ao usufruto do tesouro da existência. 
Os fortes agindo com a condição de fortes e os fracos ambicionando ser fortes, dão existência ao fantasma da competição que é uma outra "super entidade", substanciada pela inconsciência da realidade!

Vivemos em função de espantalhos que nós mesmos fabricamos, em desespero, fazemos esforços para criar sistemas que nos livrem deles...
  
As anomalias psicológicas que curiosamente, vão se destacando nos mais variados setores do comportamento do Homem, são um atestado e quiçá, uma advertência para que novos caminhos sejam tentados pela pesquisa do espírito, novas sendas onde talvez  se possa encontrar um reduto de mais segurança para o futuro: uma paisagem filosófica onde a alma humana possa se libertar dos violentos turbilhões provocados pelo choque de retorno de sua ação inconsequente...

(Trecho do livro "Introdução ao Pensamento Mágico)
(Alódio Továr-Meu pai-dia dos pais-14/08)


terça-feira, 3 de maio de 2011

SERMÃO DA MONTANHA EXPLICADO POR HUBERTO RHODEN





"Bem aventurados os pobres pelo espírito"-
Essa afirmação é as vezes confusa , como devemos ser pobres pelo espírito se buscamos a evolução espiritual, é o entendimento necessário é que muita vezes falta, a compreensão verdadeira da afirmação veja como fica claro com essa explicação.
Atenção: Os pobres pelo espírito ou seja pobres segundo o espírito, ou seja desapegados dos bens terrenos não pela força compulsória das circunstâncias, mas pela espontaneidade da renuncia.
Não há nada demais em ser rico e nem em ser pobre há virtude alguma .
A liberdade interna é que faz a diferença- é preciso saber que todo o problema é saber ultrapassar a fraqueza e a insegurança do Ego e entrar na força e segurança do Eu.

"Bem- aventurado  os mansos"-
Compreenda, esse manso a qual o mestre se refere é o homem que encontrou o seu eu divino e que é necessariamente manso.Isto é ele substitui toda forma de violência, física ou mental pela força do espírito.
Afasta a violência do campo astral, de magias buscadas no dia a dia, não corre atrás de efeitos ilusórios.
O seu poder é interno, de seu forte espírito, é a  força da suavidade.
A simpatia é uma emanação dessa força unida com a verdade e o amor

"Bem aventurado os misericordiosos"
São as pessoas que amam e compreendem o próximo com suas fraquezas, ignorâncias, doenças e confusões.
E então procura aliviar os sofrimentos, trazer luz aos pensamentos, fortalecer os espíritos.
O homem do mundo na maioria é demasiado social, o místico é silenciosamente solitário mas o  crístico é dinamicamente solidário, ajuda sempre o outro com ações, bens, palavras enfim com o que dispor.
Ser bom é diferente de fazer o bem, alguém pode fazer bem sem ser uma pessoa boa.
Quem espera recompensa pelo bem praticado é egoísta, mesmo que espere reconhecimento ou gratidão.O homem crístico está livre de qualquer espírito mercenário, trabalha por amor, com alegria.Ele é indiferente aos vivas ou vaias.

"Bem aventurados os tristes"
Não significa que tenhamos que estar a todo momento tristes, não é isso.
A pessoa  que tem a consciência reta e sincera e que está  em busca de algo real e verdadeira com certeza é profundamente alegre, calmo, feliz mas externamente lhe acontecem coisas que o entristecem. Ao observar o mundo e as pessoas que vivem nele e suas atitudes sem nenhuma cristificação, ou seja sem nenhum amor ao próximo, ações com violência, com desrespeito, sem ética e todo tipo de barbaridade tudo isso entristece essa pessoa que mesmo equilibrada em seu interno fica indignada com o ser que habita esse planeta sem a menor noção do que seja a vida real.

"Vós sois a luz do mundo"
A vida do homem cósmico é pura como
a luz na sua  solidão mística- e é fecunda como
a luz, na sua solidão crística
Brilhe diante dos homens a vossa luz!!!

"Contemplai os lírios do campo como crescem"...


O Quinto Evangelho-(Huberto Rodhen)

terça-feira, 26 de abril de 2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A VISÃO HOLÍSTICA E O MOMENTO PRESENTE

 






Diante das últimas conquistas da micro-física na década de 80, não faz mais sentido questionar-se sobre a existência ou não existência de um "componente espiritual", na totalidade ontológica do ser humano,já se sabe  que o universo chamado "material" é imponderável em sua essência, o que estabelece,implicitamente a imponderabilidade do próprio corpo físico do homem.

Para quem não conhece o assunto,ele soa com sabor dos contos de fada,sensação aliás ,que foi experimentada pela maioria dos físicos nas primeiras décadas do século XX, quando manifestaram uma total perplexidade, diante de  suas próprias descobertas.

"Todas as minhas tentativas para adaptar os fundamentos  teóricos  da Física esse novo tipo de conhecimento fracassaram profundamente. Era como se o chão tivesse sido retirado de meus pés,e não houvesse  em qualquer outro lugar,uma base sólida sobre a qual pudesse construir algo...("Heisenberg)
 "...Não é possível que a natureza seja assim tão absurda...(" Bohrn)

Fritjof Capra em seu admirável livro "O Tao da Física",demonstrou numa série de colocações ,as analogias entre o pensamento científico moderno e a experiência mística  da antiguidade oriental, mormente o Hinduísmo,Budismo e Taoismo.

Mas não é só. 
Também o pensamento da remotíssima antiguidade egípcia não desconhecia  o princípio da unidade cósmica com base na presença infinita da luz, como sentenciaram Hermes Trismegistos e Pta-Hotep.

A tendência holística de ("todo", " totalidade", abrangência conceptiva  da realidade) do momento, se estabelece como uma promessa de reabilitação da pesquisa filosófica em sua significação real, ou seja , não vinculada às dialéticas de caráter sociológico,que se constituíram no modismo das três últimas décadas.Apresenta-se agora como uma autêntica diretriz para a criação de um paradigma epistemológico, capaz de transcender de fato tudo que o pensamento humano conseguiu formular até aqui.
   
Não se trata  mais de criar esquemas cognoscitivos baseados nas reflexões  de "A" ou de "B", mas de sintetizar toda experiência humana manifestada nos quatro frutos  fundamentais  da "árvore do conhecimento":a reflexão filosófica, a pesquisa científica, a experiência mística das tradições e a mensagem emocional das artes em suas múltiplas manifestações.
Esta possibilidade marca uma nova fase de concepção da vida e do universo, quebrando todas as barreiras que impedem a compreensão entre as diferentes culturas e dialéticas. Aquilo que correspondendo a precisão etmológica do termo, pode hoje, ser realizado de novo, através  da construção de pontes sobre todas as fronteiras do entendimento e do sentimento: Não existe mais a possibilidade, ou melhor, a necessidade de transferir-se para os territórios da "fé" ,as questões referentes às ansiedades metafísicas, próprias do ser humano.
       
A culminância científica do momento,acontecia no corredor da micro-física com a conclusão de que o "observador interfere nos detalhes da observação , isto ,especificamente aplicado aos painéis  reveladores do comportamento das partículas sob aceleração ciclotrônica ,veio lançar por terra  todos os antigos esquemas formulados para "explicar o mundo", quer pelos cientistas, quer pelos filósofos. Chegou-se, afinal, a conclusão de que a verdadeira  atitude mística é aquela que mais se aproximou da verdade acerca  da fenomenologia cósmica, aquela que melhor conseguiu penetrar no âmago de tudo o que se encontra além do sensorialmente perceptível.
        
Há porém ,"mística" e "Mística" e é aí onde reside o perigo de uma nova fragmentação,desta vez irreparável , já que  se o novo paradigma holístico imiscuir-se com temas redutivos , com roupagens  conceptualistas, onde são formulada "explicações científicas" para transcendental, tenderá fatalmente  a promover novas visões redutivas, anulando a sua importância de síntese de todo trabalho humano em busca da verdade.
        
Várias instituições supra-religiosas, já despontaram no mundo, endossando esta nova posição.São as várias  escolas indianas da Yoga total, as organizações transcendentais da Califórnia , nos Estados Unidos, como o Instituto Esalem, a Findhorn, na Escócia e , principalmente a Arte Mahikari, do Japão  que além do trabalho terapêutico com a manipulação da "Luz da 7ª dimensão" vem  desenvolvendo uma pesquisa mundial para detectar o remotíssimo passado nos rendilhados insólitos do presente.

Alódio Tovar

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