sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Os Iludidos de Babel...




A pretensão dos post-adâmicos no sentido de construir uma enorme torre (Babel com betume e adobes) para conquistar o céu,constitui uma alegoria  notável sobre a incapacidade  do homem moderno para compreender  que o objetivo da existência nada tem a ver com as loucuras de uma civilização preocupada  com o "progresso" definido em bases puramente materiais.
   O hedonismo,ou seja, a atitude humana de usufruir a oportunidade da vida segundo as bases de um materialismo comportamental certamente representa  um desvio evolutivo, uma deformação do atavismo teotrópico(impulso em direção a Deus à suprema Realidade),cujas causas,embora insólitas e complexas numa análise restrita,podem,no entanto,através de uma visualização genérica,serem apontados como de ordem epistemológica, ou seja motivadas por um processo de entropia ou de bloqueio circustancial dos elementos da mente humana que tem função de criar a realidade através da compatibilização do mundo objetivo com a sensibilidade subjetiva.
   O grande drama do Homem moderno consiste  fundamentalmente na sua condição de fascinado pelas ideologias (doutrinariamente definidas ou aleatoriamente estruturadas pelo condicionamento coletivo)e pelas sentenças científicas sem o apoio da percepção de profundidade que é a meta dedutiva a supra- experimental, significa apenas uma culminância de verificação de princípios de causa e efeito de dentro uma determinada ordem fenomenal,mas não significa a constatação final de uma verdade.
   Este fato coloca o Homem numa situação em que o sentido das coisas pode variar de alfa a ômega ,em que a realidade do mundo assume formas como as de um kaleidoscópio:as mesmas pedrinhas de vidro,ou seja, as mesmas visões  do conhecimento não superado,as mesmas idéias, os mesmos conceitos, os mesmos preconceitos,as mesmas dúvidas e ansiedades e o mesmo desamor criando figuras diferentes;milhares de seitas, doutrinas, ideologias políticas, sistematizações econômicas, sincretizações esotéricas ou sabe Deus mais o que ,propondo normas de conduta e "métodos de condução em massa";a nova torre de Babel onde iludidos  e ilusionistas jactando-se da eficácia de suas formulas mágicas se arvoram em salvadores e profetas,mas que na visão serena  de Cristo não passam de"cegos procurando guiar outros cegos".
   "Perdoai-lhes Pai, não sabem o que fazem"       É lógico que o "back-ground" ou "fundo psicológico"de cada ser humano é puramente circuntancial quando não acidental.As convicções de cada pessoa são determinadas pelas suas próprias  experiências existenciais.Uma constatação da psicologia elementar.Cada um é no íntimo a somatória de todos os momentos passados transformados em memória,quer no nível consciente quer no inconsciente.A "bagagem" de cada ser humano é simplesmente o seu turbilhão interior formado pelo acervo do aprendizado intelectual mais as emoções memorizadas que diuturnamente afloram em forma de "sensações".
   Isto significa que cada Homem é o seu próprio limite,ou melhor dizendo:cada um é o limite, ou melhor dizendo:cada um é o limite de si mesmo.Consequência imediata;se o Homem não se transcender a si mesmo criará  sempre uma sociedade caracterizada pelos entrechoques  das aspirações egocêntricas, já que o egocentrismo é a revelação de cada limite personalizado.
   Poderia alguém argumentar afirmando  que "além das influências do meio",fixadas no complexo psíquico,o Homem deve ser dotado do Espírito da Alma, do super ego, do eu real,ou seja lá o nome que se queira dar ao elemento estruturador da individuação.
   Claro que é dotado,porque,do contrário,de onde viriam as fulgurações daquela coisa que se chama consciência e que realmente está acima da intelectualidade e da emocionalidade!
   É justamente aí onde  se encontra o ponto nevrálgico de toda a problemática do Homem moderno no seu bêco sem saída deste fim de milênio.É aí que tem cabimento a alegoria esotérica  sobre o "fim da era de peixe" e "início da era de aquário".
   No conteúdo da simbologia clássica cuja a razão de ser consiste na revelação "mágica" da analogias e correspondências universais o ser humano está intimamente conotado com o elemento"peixe" e principalmente com o "aquário".
   "Aquário" simbológicamente tem o mesmo sentido de "copas" o "Graal","cálice da eucaristia".Na análise das origens  emblemáticas do Tarot que foi a síntese mais profunda da simbologia da remota antiguidade,COPAS corresponde também,em relação com os quatro elementos alquímicos (ar,água,terra,fogo) ao elemento água,e água por sua vez,com relação as quatro figuras da esfinge(homem,águia,touro,leão)é o elemento que corresponde a imagem do Homem.
   Traduzindo da linguagem simbológica para a linguagem usual,os significados de PEIXE e AQUÁRIO constatamos(é lógico que dentro de uma exposição simplista e genérica pois não dispomos de espaço e condições  para maiores detalhes)que PEIXE é o contido e AQUÁRIO o que contém.Assim,o Homem da era de peixe é o homem "telúricamente consciente"isto é,o ser inteligente que visualiza as coisas segundo a sua condição de ente contido dentro de si mesmo e em função de seu meio envolvente;o Homem da era de aquário é cósmicamente consciente,ou seja é o homem que visualiza as coisas segundo o seu conhecimento de si mesmo(da sua realidade contida)e da consciência de que o plano físico(universo material)é apenas "uma das muitas moradas de meu Pai".
   Somente no "cálice"(ou aquário)pode existir a comunhão;só o ser humano cônscio de si mesmo(evolutivamente na era de aquário)e consequentemente identificado com a natureza e a super natureza(eu e meu pai somos um),poderá restabelecer para o mundo os eflúvios da verdadeira eucaristia ,o amor divino no coração dos homens, e só este amor poderá construir o que todos estão ansiosamente a procura:"a felicidade".
perspectivas.
   Se até o início da Chamada "era científica" que pode ser determinada pelo momento em que o ser humano adquiriu controle(não conhecimento final) sobre as quatro forças mágicas da natureza(eletricidade,magnetismo,energias intra-moleculares e energias intra-atômicas)o Homem pôde se manter consciente dentro da sua própria inconsciência(não é um paradoxo se entendermos a relação peixe-aquário)o mesmo não pode acontecer daqui por diante, porque se acontecer o homem fatalmente destruirá a terra e a si mesmo.
   Estabelecida uma situação em que o conhecimento e as técnicas capazes de alterar a ecologia planetária ,passaram a se constituir em elementos comerciáveis, ou seja,quando o pecado contra o Espírito Santo(o ultraje a natureza e aos valores transcendentais do homem)passou a ser praticado em larga escala ,será difícil - a não ser pelo despertamento de um número suficientes de "mutantes de aquário",será extremamente difícil evitar-se o agravamento dos choque de retorno provocados pela inconsequência profana.
   É por isso que os homens de Espírito aberto são agora chamados pela própria vida para a obra de reconstrução do Templo;e é por isso também que os iludidos de Babel são intimados a compreender pelo próprio sofrimento,gerado pela crise ,que a erudição não significa consciência,que a identificação com uma religião qualquer ou uma ideologia, não significa integração com o império da razão ou da verdade;intimados a compreender que o céu não pode ser tomado de assalto com adobe e com betume.  
  
TEXTO DE ALÓDIO TOVÁR
       

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